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Quinta, 29 Outubro 2009 12:00
Demolida a casa de Stuart Carvalhais em Queluz
por Fernando Morais Gomes
fonte: www.alagamares.net
Foi demolida, aparentemente sem que alguém assuma a responsabilidade, a casa em Queluz onde morou Stuart Carvalhais, por muitos tido como o pai da Banda Desenhada portuguesa.A juntar ao abandono a que está votada a casa no Cacém onde morou um outro vulto do seu tempo, o republicano jornalista Ribeiro de Carvalho, por estas bandas a memória histórica não prima pelo respeito, situação extensiva ás casas onde moraram o escritor Francisco Costa,organizador da Biblioteca de Sintra e a pintora Dorita Castel Branco, levando a um apagamento larvar do valor dos locais com a ausência de medidas preventivas de tais atentados .
Como ilustrador, Stuart começa por participar nas primeiras dos Humoristas em Lisboa a Exposição dos Humoristas Portugueses e Espanhóis (1920) e a Exposição de Artes Plásticas (1935).Galardoado com o Prémio Domingos Sequeira em 1949, manter-se-á figura isolada da primeira geração dos modernistas portugueses. Não aderindo à nova linguagem protagonizada por Almada Negreiro ou Santa-Rita, faz a ponte com a caricatura de Bordalo Pinheiro afirmando-se como cronista perspicaz . Não poupou a crítica a quem a mereceu e, em 1914, colabora no jornal satírico monárquico O Papagaio Real. Meio de sátira ao poder, a caricatura e a banda desenhada, que inicia em 1916 no suplemento humorístico de O Século com as célebres Aventuras do Quim e do Manecas, permitem-lhe um retrato de época crítico das poses da burguesia, às quais contrapõe tristezas sociais, personificadas em tipos populares.
Em meados da década, é o artista que contabiliza mais capas de livros e de pautas de música .Cenógrafo e figurinista do Teatro Nacional e do Politeama, desenvolve actividade no cinema (em 1916, trabalha na adaptação a filme das Aventuras do Quim e do Manecas), passa pela aventura da realização (O Condenado, com Mário Huguin) e desdobra-se como actor, decorador, cenógrafo e gráfico.
A sua vida, na qual o sucesso convive com o alcoolismo e a instabilidade financeira, leva-o à experimentação de materiais inesperados, não ortodoxos, como suportes ruinosos recuperados dos restos da cidade (papel de embrulho, tampas de caixotes), e até de alguns materiais de desenho, de que se destacam os fósforos queimados com que frequentemente traça composições.
A recuperação e valorização da casa onde morou poderia ter sido um contributo não só para o recuperar da Memória mas para a divulgação da sua obra, ímpar no meio cultural português da primeira metade do séc XX.
